Ciclos de Inovação Tecnológica

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Ciclos de Inovação Tecnológica

Mensagem  Iran em Sex Set 04 2009, 10:08

Leitura e interpretação de texto: ATIVIDADE PARA OS ALUNOS DOS 3° ANOS VISANDO A AVALIAÇÃO DO 3° BIMESTRE

Ciclos de Inovação Tecnológica e os Fluxos Econômicos da Sociedade Global
Anderson Luis Ruhoff
O mundo contemporâneo é marcado pela importância crescente dos fluxos econômicos que se realizam em escala global, que movimenta mercadorias, capitais e informações. Então, buscamos o questionamento das conseqüências da globalização nas esferas políticas e econômicas... De que maneira ela afeta o trabalho e por que reproduz e aprofunda as desigualdades sociais?
A “Destruição Criadora”
Segundo teoria elaborada pelo economista Joseph Schumpeter, a economia mundial se desenvolve por meios de ciclos de inovações tecnológicas. Esses ciclos começam com uma fase de rápido crescimento e acumulação de capital, atravessando uma fase de estabilização, e posteriormente entram em uma fase descendente, caracterizada principalmente pela redução do crescimento econômico e dos lucros empresariais.
Joseph Schumpeter estabeleceu que a economia evolui por meio da “destruição criadora”. Quando um conjunto de novas tecnologias encontra aplicações produtivas, as tecnologias tradicionais são “destruídas”, deixando de criar produtos capazes de competir no mercado econômico.
Na fase inicial do ciclo de inovação, as novas tecnologias distinguem os empresários inovadores, que são premiados com elevadas taxas de lucros e erguem verdadeiros impérios empresariais. Na fase de estabilização, os lucros caem para patamares menores, pois a maior parte das empresas adota o novo conjunto de tecnologias, e com isso a competição torna-se mais acirrada. As tecnologias “inovadoras”, nesse momento tornam-se tradicionais. Na fase de decadência do ciclo, a queda acentuada dos lucros prenuncia uma crise econômica, e mais uma ruptura na base tecnológica, que deflagrará um novo ciclo.
Com base nos ciclos de inovação tecnológica, é possível identificar cinco ciclos de inovação, desde as primeiras fábricas têxteis inglesas até a revolução da informação (Figura 1).

Figura 1 – Ciclos de inovação tecnológica da economia industrial. Fonte: The Economist (1999).
Pode-se considerar que a época de ouro das grandes empresas ocorre na fase de estabilização e crise, pois nessa fase os mercados já estão plenamente configurados, e os pequenos empreendedores, que não dispõem de recursos financeiros são incapazes de concorrer com as grandes. Frequentemente suas empresas são incorporadas pelas maiores. Nessa fase de decadência do ciclo, os mercados estão saturados e a economia registra superprodução. Ocorre então a centralização de capitais (redistribuição regressiva do capital, em que os maiores empresários assumem o controle sobre empresas e patrimônio por meio de fusões e aquisições).
A Europa e a formação do Meio Técnico
Segundo o geógrafo Milton Santos, a história da incorporação das técnicas no espaço geográfico passou por três etapas distintas: o meio natural, o meio técnico e o meio técnico-científico-informacional. Até o século XVIII, apesar da existência de determinadas técnicas, a transformação do espaço foi bastante limitada e o meio geográfico permaneceu, em grande medida, natural.
Desde a eclosão das revoluções industriais o meio geográfico recebeu grande quantidade de infra-estruturas - fábricas, ferrovias, rodovias, linhas telefônicas, máquinas na agricultura, barragens e usinas hidrelétricas, etc. O meio geográfico tornou-se crescentemente artificial, transformando-se em meio técnico.
A Inglaterra deu a largada para uma série de inovações tecnológicas de produção. Tal fase foi marcada pelo uso da força da água e dos teares hidráulicos. Assim, o tear fabril se impunha sobre a manufatura tradicional. Ao lado da indústria têxtil, a modernização das fundições de ferro impulsionou o ciclo inicial da industrialização. Com a utilização do carvão na fundição do ferro em altos fornos, possibilitou o surgimento da siderurgia moderna. Assim o ciclo hidráulico deu lugar ao ciclo do carvão
A revolução do carvão também se expressou fora das fábricas, no setor de transportes. As ferrovias e os navios encurtaram distancias, reduziram brutalmente os custos de deslocamento, matérias-primas e alimentos. Esses dois ciclos de inovação abriram as portas da economia-mundo, para a incorporação de todas as nações e continentes nos fluxos mercantis e circuitos de investimentos centralizados pelas potências econômicas.
Foi nesse período que o Imperialismo anexou áreas coloniais na África, Ásia e América Latina. As potências industriais importavam basicamente dois tipos de mercadorias: matérias-primas e produtos agrícolas. Para as colônias eram exportados produtos industrializados. Esse comércio internacional caracterizou a Divisão Internacional do Trabalho (Figura 2).

Figura 2 – Evolução da Divisão Internacional do Trabalho. Fonte: The Economist (1999).

A Divisão Internacional do Trabalho durante os dois ciclos de inovação tecnológica também foi marcado pelos fluxos de investimentos diretos das potências econômicas para as suas esferas de influência, e se concentravam principalmente em setores de infra-estrutura, como eletricidade, transportes, iluminação, telefonia, etc. Esse período foi dominado principalmente por países como Inglaterra, Alemanha, França, Itália, Suécia, Rússia. No final do Século XIX, essas raízes foram implantadas no nordeste dos Estados Unidos e no Japão.
Século XX - O Século Americano
O terceiro ciclo de inovação tecnológica foi deflagrado no Estados Unidos. O uso do petróleo como combustível e a invenção do motor de combustão interna originaram a indústria automobilística. Nascia também a indústria química e a eletricidade tornava-se a fonte de energia das fábricas. Os motores elétricos foram construídos a partir de linhas de montagem. A reorganização técnica do trabalho também foi uma inovação tecnológica, pois a automação da produção subordinou os operários às máquinas e causou um enorme salto de produtividade do trabalho. O “ciclo do petróleo” durou até a Segunda Guerra Mundial. A década de 1920 foi considerada a “idade de ouro”, pois foi caracterizada pelo intenso crescimento econômico-indústrial. A Grande depressão, iniciada com o crash da Bolsa de Nova York (1929) assinalou dolorosamente a fase descendente do ciclo.
Depois da Segunda Guerra Mundial, o crescimento econômico foi retomado sobre novas bases tecnológicas, iniciando um quarto ciclo de inovações. A indústria eletrônica criou centenas de novos produtos e conferiu um maior impulso a indústria eletrônica. O “ciclo da eletrônica” reativou a produção e a circulação de mercadorias, e ao longo dos dois ciclos tecnológicos, os Estados Unidos firmaram-se como a grande potência industrial do mundo. A hegemonia americana contrastava com a desorganização dos sistemas produtivos europeu e japonês. As inovações nos transportes, como a aviação civil gerou um novo padrão de negócios, propiciando o surgimento de um novo tipo de negócio, a “indústria do turismo”.
Em 1944, os Estados Unidos lançaram os fundamentos da “economia do dólar”, na Conferência de Bretton Woods. Foram criados organismos internacionais multilaterais, destinados a administrar crises econômicas internacionais. Nasceram nesse contexto, o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o BIRD (Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento – também conhecido como Banco Mundial). Preocupações do mesmo tipo originaram o GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio), que posteriormente transformou-se na OMC (Organização Mundial de Comércio). A OMC é responsável pelo livre comércio, evitando as tarifas alfandegárias exageradas e o protecionismo.
Uma das questões fundamentais da economia atual diz respeito às práticas comerciais das negociações internacionais. O multilateralismo econômico surgiu com o GATT, e um dos princípios estabelecidos refere-se à Não-discriminação entre as Nações. Toda vantagem, favor ou privilégio envolvendo tarifas aduaneiras e concedido bilateralmente deve ser estendido imediatamente ao comércio com os demais países signatários. A OMC foi criada em 1995, e vem mediando transações comerciais internacionais. Quando um país se sente prejudicado no comércio internacional, este tem o direito de apresentar à OMC um pedido de sanção contra a nação que está transgredindo as regras comerciais acordadas. Caso não haja acordo entre os países envolvidos na disputa, a OMC impõe sanções econômicas, como a retaliação comercial.
Entre os principais problemas enfrentados pelos países subdesenvolvidos frente a OMC, destacam-se:
1. Dita as políticas comerciais dos governos nacionais.
2. Pretende o comércio livre, sem se preocupar com a opinião de seus membros.
3. Só se preocupa com os interesses comerciais que tenham prioridade sobre o desenvolvimento.
4. Seus interesses comerciais são mais importantes que a proteção ao meio ambiente.
5. Os países pobres não têm poder na OMC.
6. Os países mais fracos não têm outra alternativa, senão aderir à OMC.
7. Acaba com empregos e aumenta a diferença entre ricos e pobres.
8. É antidemocrática.
A produção fordista e o Keynesianismo
Ate a 1ª Guerra Mundial, a produção industrial esteve organizada em torno das indústrias de base, como siderúrgicas, químicas, de maquina e equipamentos. Nesse momento, Henry Ford pós em sua fabrica as teorias de Frederick Taylor, que Preconizava a implantação de um sistema de organização cientifica do trabalho, controlando os tempos e os movimentos dos trabalhadores, com o objetivo de aumentar a produtividade no interior das fábricas. Propunha também a intensificação da divisão do trabalho, fracionando as etapas do processo produtivo, de forma que o trabalhador executasse tarefas ultra-especializadas e repetitivas. Sua concepção baseava-se que o trabalho intelectual era reservado a dirigentes e funcionários especializados, e o trabalho manual reservado aos operários das linhas de montagens. Esses procedimentos ficaram conhecidos como Taylorismo.
Porém, Henry Ford possuía outros raciocínios, apresentando uma visão mais abrangente da economia, não ficando restrito a mudanças organizacionais nas fábricas. O FORDISMO baseava-se na concepção de que a produção em massa exigia um consumo em massa, que por sua vez pressupunha produtos mais baratos e salários mais elevados. Nesse sentido, estavam criadas as melhorias na qualidade de vida da população, possibilitando:
1) Queda nos custos de produção;
2) Produção em escalas maiores – aumento de produtividade;
3) Redução da jornada de trabalho.
O aumento da produção em ritmo superior ao aumento da capacidade de aquisição provocou a crise de 1929, em que as empresas norte-americanas, sem conseguir vender sua produção, começaram a ter prejuízos e seus produtos foram rapidamente desvalorizados, juntamente com suas ações na bolsa de NY. Com os desdobramentos da crise, políticas econômicas keynesianas foram adotadas pelo governo americano.

Iran
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